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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Vivemos para cuidar



Vivemos cuidando para a unha não quebrar, o arroz não queimar, para não bater no pedestre que atravessa fora da faixa, para não deixar a planta morrer ou o cachorro sem água.
Vivemos cuidando para não atrasar o pagamento das contas, para não gastar todo o dinheiro, para não perder a hora ou uma oportunidade.
Vivemos cuidando para não sujar o sapato, para não engordar, para não escorregar no piso molhado nem na vida.
Cuidamos para não falar palavras ásperas nos momentos de raiva e sempre palavras bonitas para a pessoa que amamos. Cuidamos das pessoas que amamos. Cuidamos para não deixar o amor morrer.
Cuidamos dos filhos, dos pais, do marido, dos avós, vizinhos, das amigas, dos colegas, dos alunos, dos animais, da natureza.
Vivemos cuidando dos dentes, da pele, do cabelo. Passamos a vida cuidando dos outros, das coisas e de nós.
Vivemos cuidando da saúde, mas ela parece ser tão frágil. Nos vacinamos, fazemos exames, tomamos vitamina C, usamos camisinha, cuidamos da higiene, da pressão, do colesterol, da mente. Comemos fibras, não fumamos, tentamos dormir 8 horas por dia... E por quê ficamos doentes? O que ainda nos falta cuidar? Não sei. Sei que sem o 'cuidar' deixamos de ser humanos.
Giseli P. Sloboda

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O segredo é saber como morrer

Comecei hoje a ler O Símbolo Perdido de Dan Brown, e a trama tem início dizendo que “o segredo é saber como morrer”. No fundo é a mais pura verdade. Todos os dias algo morre em nós, seja um sonho (realizado ou não), uma ideia, uma vontade, uma célula... a fome, o expediente, o dinheiro, a gasolina, a noite, o dia. Sem perceber estamos caminhando para a morte e é preciso saber lidar com isso. Parece triste, melancólico, fúnebre, pessimista, mas a vida tenta todos os dias nos ensinar a saber morrer. Eu prefiro resistir e aprender a viver.
Giseli P. Sloboda

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Coisa de Preto


Ontem ouvi uma pessoa dizer “fez uma coisa de preto” quando outra derramou café na mesa. A pessoa logo pediu desculpas pela expressão, mas me fez pensar em o que é uma 'coisa de preto'. Se estivéssemos falando de Lewis Hamilton seria ser o primeiro campeão negro de Fórmula 1; de Will Smith, ser o ator mais requisitado do mundo; de Barack Obama, ser o primeiro presidente negro dos EUA; de Pelé, ser o Rei do futebol; se falássemos de Nelson Mandela seria lutar pela liberdade e se opor ao apartheid; de Matin Luther King, ser um pacífico protestante pela não-violência e pelo fim da discriminação racial. E sinceramente, não entendi o que derramar café, um ato tão insignificante, tem a ver com fatos heróicos bordados no mundo com a mais brilhante linha negra da história.
No dia em que lembramos da Abolição da Escravatura, vamos abolir da sociedade esse tipo de preconceito, começando pelo nosso vocabulário.
Giseli P. Sloboda

terça-feira, 11 de maio de 2010

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja,e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.

Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.

Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar alternativas.

Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.

|John Lennon|
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